Quis Custodiet Ipsos Custodes? Quem vigia os vigilantes? Quem vigia os vigias? Quem guardará os guardas? Quem irá vigiar os próprios vigilantes? E quem fiscaliza os fiscalizadores? Essas questões foram levantadas pelo poeta romano Juvenal, na Antiguidade. E foram com esses pensamentos que tive a intenção de criar este meu blog, para melhorar os meus próprios pensamentos e compartilhar com as pessoas interessadas em tal, fora o fato primordial de qualquer filosofia: fazer você pensar usando a Razão.


quarta-feira, 30 de maio de 2012

Os Senhores do paradoxo

A Morte de Sócrates, de Jacques-Louis David
"Certos homens odeiam a verdade, por amor daquilo que eles tomaram por verdadeiro!"(Santo Agostinho de Hipona)

Quem está contra os filósofos? Quem é contra o amor ao saber? Na verdade faz milênios que não existe esse quem, não abertamente como há mais de dois mil anos, mas faz muito pouco tempo que o "ecoar" dele fez estragos a filosofia em suas maiores bases: os professores de filosofia. O sofismo tem crescido muito, há mais de cem anos (alguns diriam há mais de seiscentos) a sua influência tem crescido a níveis assustadores. Outrora os sofistas eram vistos como seres quase que acéfalos pelo meio acadêmico e até mesmo pela população em geral, isso devia-se ao constante atrito que eles tem com a própria lógica em si, isto é, com os próprios argumentos e como eles funcionam, o sofista é aquele que, mais do que todos, usa jogos de palavras, frases-feitas, chantagem emocional, chantagem coletiva, apelo a tradição, apelo a novidade, ataques a pessoas e não a ideias, desonestidade intelectual e etc, para conseguir fazer que uma pessoa, ou que um grupo de pessoas, acredite em algo que ele está pregando ideologicamente, doutrinalmente, ou seja, formas de pensamento que ele crê que a maioria deva seguir.
Não são todos os sofistas que são o que são sabendo disso conscientemente, no fundo, a densa maioria acredita piamente, nas entranhas mais profundas de seu ser, de que estão fazendo algum tipo de bem comum, ou até mesmo que estão a fazer um progresso no campo da razão com seus pensamentos e atitudes, mas se os próprios analisarem os seus pensamentos por um pouco de tempo irão ver que eles entram em contradição com eles mesmos na essência fundamental de sua lógica. A boa parte dos sofistas é sofista não porque não acredita, ou combate, algo que a filosofia prega, propositalmente, e sim porque o pensamento dele está corrompido, ou por ele mesmo, ou por uma corrente ideológica, religiosa e etc ou até mesmo pelo fato de estar começando a pensar sobre o mundo a sua volta de uma forma que ele acredite ser racional, este, talvez nem se quer poça ser chamado de sofista, pois a juventude de seus pensamentos é oque o faz errar, com o tempo, ele irá deixa-los.
A verdade é algo que até mesmo podem acreditar que defendem, com o maior rigor possível, mas para anular um argumento desfavorável ao seu, ele usará, mesmo que inconscientemente, um argumento completamente surreal e descaradamente contraditório e desonesto, em termos intelectuais, se tiverem a verdade como meta (isso mesmo, se tiverem, pois alguns nem acreditar no fator verdade acreditam), estão em profundo paradoxo, não apenas com os seus pensamentos, mas também com o seu próprio ser, pois a busca da verdade é um fato interno em todos os homens, é algo intrínseco a existência do ser-humano. As contradições podem, e na verdade a maioria vai estar, escondia em um jogo de palavras, como por exemplo: "não podemos ter certeza de nada, pois só Deus é absoluto, e se só Ele é absoluto, nem uma coisa que digamos pode ser absoluta, logo, nem uma certeza é absoluta...", aparentemente esse pensamento parece bem coerente, mas se investigarmos mais a fundo veremos que não, pois um pensamento coerente não volta contra si mesmo, isto é, se jogarmos o próprio discurso será notado uma falácia nos argumentos utilizados para provar que não existem certezas por causa do absolutismo de Deus. Exemplo:

  1. Se não existem certezas absolutas, a certeza absoluta de que não existem certezas absolutas é falsa, logo existem certezas absolutas.
  2. Se o homem, que diz isso, tem o conhecimento de que Deus é absoluto é outra certeza absoluta, portanto, existem certezas absolutas dentro do próprio pensamento de que não existem certezas absolutas.
  3. Se não podemos ter certeza de nada, o nada, por si só é um termo utilizado para dar a referência a algo que, por essência, é um vazio absoluto, pois nada existe no nada. Se o nada não é um vazio absoluto, logo, o nada não existe e existem certezas absolutas.
  4. É uma certeza de que aquele que pensa que não existem certezas absolutas, pensa que nem uma certeza é absoluta, se não é uma certeza o pensamento de que nem uma certeza é absoluta, logo, existem certezas absolutas até mesmo para quem pensa que não existem certezas absolutas. 
A mentalidade sofista, para ser quebrada, deve-se desmembra-la por completo em seus mais íntimos e mínimos detalhes, de certo, não é sempre deste modo que um sofista de mostra para um debate qualquer ou alguma apresentação de pensamentos, existem outros sofismas das mais variadas formas, e cada sofisma é relativo a pessoa em relação as suas convicções, princípios ou crenças (sejam elas de qualquer tipo), um sofisma também pode ser, em alguns casos, um pensamento fora da ordem do debate, ou seja, uma falácia desesperada para desviar o foco do debate, essas falácias são apelações que desviam ou terminam com o assunto sem nem um propósito racional ou honesto.
Muito embora, os sofistas puros, isto é, aqueles que são o que são por própria escolha e aqueles que odeiam a verdade por amor daquilo que antes, para eles, era verdadeiro, mas agora veem que é falso, sejam raramente vistos vestindo a "camisa" sofista no meio intelectual ou popular, como se fazia na cultura Helênica há milênios, ele está alta e claramente impregnado em quase que toda a filosofia moderna desde René Descartes, onde, abandonando, não propositalmente, isto é, inconscientemente, o caminho que a filosofia tomou desde Sócrates até ele, ou seja, o caminho subjetivista (caminho esse seguido por quase que todos os grandes filósofos, como Immanuel Kant e Friedrich Nietzsche), quando, em seu Discurso do Método, ele prega a Dúvida Universal (embora ele tivesse a intenção de chegar a uma conclusão de que é impossível um ceticismo absoluto, o efeito de sua obra foi muito negativo para a filosofia, pois ele abriu um leque para falsas noções ceticistas no futuro), oque é basicamente um sofisma, pois se ele prega a Dúvida Universal, ele também duvida que ele mesmo está pensando. Essa corrente subjetivista cresceu de uma forma  assustadora a partir de Descartes (alguns diriam que foi a partir de Guilherme de Occam),  depois a filosofia em si foi se perdendo, foi se invertendo, criando as mais variadas correntes filosóficas, hoje, pouco se fala dos princípios socráticos, ou da lógica aristotélica, mas filosofias como a de Nietzsche governam as faculdades junto com a gigantesca lógica kantiana.
Nesses princípios é que a maioria dos sofistas se segura, os princípios subjetivos (relativos ao máximo ao indivíduo pensante), o subjetivismo impregnou-se na filosofia como um parasita e recusa-se a sair por mais que se tente tirá-lo, a boa parte dos sofistas acha que é filósofo, e isso até faz sentido, pois muitos bebem, comem e respiram pensadores simpatizantes com esse subjetivismo disfarçado de filosofia. Cabe ao verdadeiro filósofo, cabe a aquele que ama a verdade e que tem um compromisso perpétuo com ela, denunciar e rebater tais correntes de pensamento, pois essas correntes, prejudicam, em proporções continentais, o rumo que a filosofia e o pensamento geral tem tomado ao longo de séculos.

2 comentários:

  1. Gostei bastante do seu texto até aqueles quatro pontos. Confesso que eu não entendi NADA nesse 3º ponto. kkkk Ficou meio esquisito...

    Concordo com vc acerca do subjetivismo. Sou contra também. Contudo, vc não pode confundir "subjetivismo" com "relativismo". É possível eu ter um pensamento subjetivista e absoluto, quer dizer, não relativo. Na verdade, o subjetivismo surgiu com uma tentativa de se encontrar exatamente o que é absoluta e indubitavelmente certo. O relativismo, que defendia verdades relativas, acabou sendo um resposta contra o subjetivismo racionalista, que defendia verdades absolutas.

    Não costumo defender Descartes ou Kant, mas o que vc fez ali é uma injustiça com eles (Com Nietzsche até concordo, esse é relativista mesmo, embora alguns digam que ele é perspectivista pra tentar salvar o cara rsrsss). O Método da Dúvida já estava em Santo Agostinho quando este buscava refutar os céticos de sua época (vc pode pesquisar sobre o "cogito agostiniano"). O mesmo fez Descartes com os mesmos intuitos, embora o próprio não assuma que tenha pegado sua tese de Agostinho. huaaha... Isso só foi aparecer com pesquisas posteriores. Nesse sentido, o próprio Descartes achava que tava cortando com o passado, mas basicamente a sua tese depende muito dos pensadores anteriores, principalmente dos medievais.

    O problema dele é que ele enfatiza demais o sujeito também, mas tem algum ponto das "Meditações" que o próprio "eu pensante" poderia não existir, caso Deus não exista. Daí que Descartes acaba fazendo 2 provas da existência de Deus na 3ª Meditação e 1 prova na 5ª Meditação, para continuar mantendo sua certeza absoluta "clara e distinta", como ele dizia. Obviamente, essas provas já haviam sido enunciadas por filósofos medievais. kkkk...

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    1. Hum.. sobre o terceiro e quarto ponto:
      No argumento de que não podemos ter certeza absoluta de nada porque só Deus é absoluto, existem várias certezas absolutas dentro desse argumento. Uma dessas certezas é o nada, o nada, por ele mesmo, é um absoluto vazio, isto é, nada existe no nada. Se ele usa o nada pra dizer que nada é absoluto, ele entra em contradição consigo mesmo pois o próprio nada é um absoluto vazio.
      Em relação ao quarto ponto, não tentei mostrar que existem certezas absolutas em seu próprio argumento, tentei provar pra ele que é PRECISO que existam certas certezas em seu próprio ser até mesmo para pensar em um sofisma como esse. O próprio fato dele pensar que não devem existir certezas absolutas, TEM que sem uma certeza absoluta, porque se não é, nem seria uma certeza absoluta de que ele pensa que não existem certezas absolutas, logo, ele estaria sendo desonesto com ele mesmo até.
      Sobre o Subjetivismo e o relativismo:
      Não condeno o subjetivismo nem o relativismo em todos os casos... na verdade só os condeno se forem elevados ao seu extremo. De qualquer modo, o subjetivismo é o relativo ao seu pensamento individual, isto é, é uma espécie de relativismo, pois se algo é relativo, é relativo ao individual de cada pessoa. Quando me referi ao subjetivismo, me referi ao subjetivismo radical, oque é praticamente o relativismo radical também... se formos dar uma análise diríamos que o relativismo radical é fruto do subjetivismo radical... ou até mesmo, que o subjetivismo radical virou o relativismo radical... Algumas coisas são subjetivas (relativas a o indivíduo), outras não, realmente pode-se ter um subjetivismo e não ser um relativista, mas se você olhar os argumentos dos relativistas são todos embasados no subjetivo.
      O problema de Descartes foi pregar dúvida universal para o início das coisas... é meio que difícil para mim me expressar de uma maneira boa aqui... por isso te passo esse vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=3iz_lnpfYoU nesse vídeo você vai ver que o Subjetivismo radical é o relativismo radical e ele vai explicar sobre Kant e outros (que eu nem citei aqui...)bem melhor do que eu poderia escrever aqui... rsrsrsrsrss mas eu não coloco Descartes junto com Nietzsche e etc... eu o coloco no começo de uma declinação na filosofia... todavia, se ele é o começo da declinação, ele está em sima em comparação a Nietzsche e os outros...

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