"Sabes quem são os críticos? Os que malograram na literatura e na arte." (Benjamim Disraeli)
No começo da minha última postagem (é necessário ler antes de ler esse texto os seguintes textos: O conhecimento e quem o procura e Então vamos ser críticos) fiz uma breve e vaga referência a grupos sociais pós-modernos, e como esses grupos tem como uma espécie de grito de guerra, a pregação da crítica ao antigo e conservador, no entanto, não me aprofundei no assunto e creio que ele deva ser abordado com cuidado, pois, a minha intenção com esse texto não é ofender alguém que pertence a algum desses grupos de graça, na verdade, não tenho intenções nem se quer de ofender a alguém que pertence a algum grupo que seja, mas, devo avisar logo as minhas intenções porque no mundo atual, infelizmente, vivemos em um cenário que no qual, qualquer crítica bem feita que você faça contra algum grupo neste cenário, imediatamente aquele que preferiu a crítica é rotulado de preconceituoso.
*Os grupos sociais pós-modernos, normalmente chamados de tribos, tem, em muitos casos ou até mesmo todos, uma formação que se originou da rebeldia de um certo número de pessoas em uma sociedade conservadora e de moral judaico-cristã. A rebeldia era, e é, impulsionada e alimentada com a noção da crítica em si, isto é, se você era uma pessoa critica, para esses grupos, você deveria, de algum modo, se separar dos costumes e da moral maioritária, pois esses não passavam de ideias defendidas por instituições "ultrapassadas" e quadradas, e um novo senso de crítica foi criado a partir de então, isto é, uma nova concepção do que é crítico e o que não é crítico, o velho costume era alienado, estranho, fora de moda, medieval, chato e etc, o novo, seria o contrário, e além disso, seria um atrativo mais "legal" em comparação ao velho, não poderia-se ser um crítico de verdade (mais uma vez quero enfatizar que isso é na visão da maioria, se não de todos, desses grupos na época de cada um. Como sei disso se não sou participante de nem um deles? Simples: escute e leia oque eles falam e escrevem, analise a sua crítica isso se tornará notório). A essência da crítica foi quebrada e adulterada por tais grupos, cada um é claro, fazendo isso do seu modo, mas de qualquer forma, tal pensamento era quase que unanime nessas tribos.
O problema em si, não é criticar o antigo, ou criticar os padrões e valores de uma determinada sociedade, seja ela qual for, sempre existe espaço para críticas, o homem não cresce sem o "choque", e a crítica é o comburente de tal choque, pois ela fomenta o debate de ideias e o incentivo a o uso da razão para determinadas questões abordadas nesse debate, o mal desses grupos é o deles se acharem incriticáveis, não que os membros desses grupos pensem que não se pode criticar, em nem uma hipótese, os seus próprios grupos, mas é praticamente inaceitável uma crítica mais conservadora para eles, é claro que existem exceções, porém elas não abrangem a maioria que habita nesses grupos, isto é, em termos gerais, se pensa assim. A falta de auto-crítica, que é impulsionada pela crítica desenfreada do que é considerado antigo, é o que causa a contradição dentro desses grupos atuais, esse extinto de rebeldia sem sentido afeta a capacidade de ter um raciocínio mais elevado para com sigo mesmo, e isto, causou um grande mal as formas de expressão utilizadas no mundo, pois esses novos grupos, com a própria base destruída, com o extinto de mudança a todo custo, abala várias meios de expressão da humanidade, e se esses grupos tem a essência transfigurada em um paradoxo, a forma desses grupos se expressarem (na música e na arte, por exemplo) também será transfigurada, e as noções filosóficas de vida tão bem cultivadas e guardadas na geração anterior a tais também será corrompida.
O detrimento da arte, música, valores e etc, foram bem vistos e revistos ao longo do séc. XX, no entanto, este fato cresceu (ele não nasce desses grupos, mas ele é aumentado por eles) com a ajuda de certas tribos que o incentivaram em seu meio, pois como já foi afirmado, aquilo que representa uma sociedade anterior, ao ver deles, seria ignorável e ultrapassado, a arte foi brutalmente abalada nesse contexto no séc. XX, as pinturas, esculturas, filmes, poesias e músicas tiveram a sua essência e uso arrancados para servir ao viés "crítico" de grupos, como por exemplo, a arte dos góticos (o gótico pós-moderno é só um exemplo representando quase que toda a arte moderna), em resumo, ela é toda retalhada, feia e sem sentido nem um com o que a arte realmente representam (também tratarei da arte em si em outro texto), em nome da crítica, a arte moderna (que também é incriticável para a atualidade...) foi usada como forma de expressionismo por esse grupo, nada poderia dar certo com fatores como esse impulsionando futuros artistas para expressar, ou seus sentimentos, pensamentos ou sensações que tinha e tem como gótico, tais expressões infectaram a tal ponto o mundo artístico que é demasiado raro ver uma pintura a óleo moderna sem ser de arte moderna... em si o uso desenfreado da crítica abalou a civilização em pontos que não eram abalados há milênios, e isso não é um ponto positivo.
Um pequeno exemplo:
O quê realmente é bonito?
isso
![]() |
| O geógrafo, de Johannes Vermeer |
ou
isso?
Como disse Benjamim Disraeli, os críticos são aqueles que inutilizaram a arte, são aqueles que, por causa do seu egocêntrico, relativizaram a beleza, são e foram aqueles que ignoraram todo o conhecimento filosófico sobre o assunto e taxaram aqueles que eram contra de serem velhos, chatos, preconceituosos e ultrapassados, eles, em nome da seu novo modo de ser, e só pelo fato de ser novo, e que não poder ser criticado sem que o critico seja rotulado de chato, que deram o espaço para anomalias como a arte moderna fossem incentivadas, aumentadas, de estagnar a arte, o belo e a essência das coisas não passar de uma figura abstrata que você interpreta de qualquer forma, ao seu bel prazer. Para o novo, o novo não deve ser criticado, e isso é um fato, mas isso muda, ironicamente, quando esse novo ser torna velho (algo que, no começo desses movimentos, não era pensado: a velhice), a geração mais nova toma o título de jovem para si, e a mais antiga, assim como a outra, embora seja bem menos criticada, toma o antigo e odiado rotulo de velho, um bom exemplo é o movimento hippie, que era um movimento todo moderno de contracultura mas hoje é quase que um sinônimo de loucura para a sociedade mais nova.
Os movimentos da década de 60, 70 e 80 foram desta forma, e é difícil achar neles uma tolerância com um pensamento diferente a respeito deles. É quase que impensável, para muitos, comparar um quadro de Rafael Sanzio com alguma pintura que retrata, por exemplo, a vida punk, mas por que isso seria impensável? Dizem apenas que não se pode comparar, e realmente, para que toda uma filosofia desregrada possa sobreviver a própria crítica que eles tanto esbanjam ter, pois basta apenas uma pequena comparação entre essas obras, que já se pode ter uma noção do que é melhor e o que é pior, em termos de expressão artística. O curioso é que a hipocrisia é raramente notada e apontada por parte da classe pensante no mundo (até porque uma boa parte dela se identifica com algum desses movimentos), aqueles que mais gritaram em prol da crítica são aqueles que menos a aceitam, e os grupos mais modernos também tem essa característica, mas com a diferença é que uma parte da geração nova do século XX conseguiu influenciar, através da música muita vezes, a geração atual, e nessa geração atual é que nasceu o grupo dos emos, e depois desse o grupo dos ditos "coloridos", esses, com a falsa noção de crítica já no inconsciente coletivo, conseguiram adulterar mais ainda a música com o seu execrável expressionismo (não que a música já não tivesse problemas nela antes, mas ao menos, havia um estudo sobre ela, no Rock, por exemplo, os cantores e as bandas sabiam cantar e tocar, ou até mesmo criar obras de arte com as suas músicas, não é todo o caso de rock antigo que é assim, porém, o rock não teve isso tirado pela sua própria rebeldia em todos os casos, em uma grande parte deles, a música só é dita boa pelo efeito nostálgico que ela tem) pós-moderno, e, o que é mais irônico ainda, a parte da nova geração que foi influenciada em uma velha que critica essas tribos novas (exemplo: rockeiros criticam coloridos), esquece totalmente o antigo grito que tinham em prol da crítica ao antigo e o levantar do novo.
A rebeldia de vários grupos desencadeou o que os primeiros dessa rebeldia provavelmente não queriam, a estagnação pelo relativismo, já que ele era o motor e combustível das críticas que tinham, o relativismo que foi dado ao bom gosto e ao belo foi o causador da parada do progresso artístico em várias camadas da civilização, é claro, que isso tem mais relevância em algumas do que em outras, todavia, em aspectos gerais, esses grupos sociais influenciaram muito a sociedade Ocidental desdo último século até hoje, e isso, dentre outros fatores é que ajudaram a criar a sociedade doente que temos atualmente, uma sociedade que rejeita a crítica, a filosofia clássica, o belo, a moralidade e uma vida de acordo com os valores da família e etc, em resumo, esses grupos foram um dos responsáveis que alavancaram a sociedade hipócrita que temos hoje. O problema em si não é a existência desses grupos, o problema é a radicalidade que eles tem ao tratar do antigo, ou como alguns gostam de dizer: "retrógrado".
- * Quando me referir as tribos, não significa que todo um conjunto de acontecimentos futuros será culpa única da tribo que usarei com exemplo, ou seja, a culpa não é unicamente das pessoas daquele grupo social específico, não coloco a culpa da deterioração da arte em geral em sima desses grupos, mas sim os responsabilizo pelo aumento e incentivo a deterioração da mesma. E quando me refiro aos grupos, não quer dizer que todos os integrantes deste grupo pensam da mesma forma, alguns, de alguns grupos até, pensam diferente, mas em meu texto me refiro a consequência no geral que foi causada pela maioria que representa o grupo, se você não tem a mesma opinião sobre este tema, então não faz sentido se sentir atingido.


Nenhum comentário:
Postar um comentário