Quis Custodiet Ipsos Custodes? Quem vigia os vigilantes? Quem vigia os vigias? Quem guardará os guardas? Quem irá vigiar os próprios vigilantes? E quem fiscaliza os fiscalizadores? Essas questões foram levantadas pelo poeta romano Juvenal, na Antiguidade. E foram com esses pensamentos que tive a intenção de criar este meu blog, para melhorar os meus próprios pensamentos e compartilhar com as pessoas interessadas em tal, fora o fato primordial de qualquer filosofia: fazer você pensar usando a Razão.


segunda-feira, 18 de junho de 2012

A honestidade dos pensadores

"A honestidade é elogiada por todos, mas morre de frio" (Juvenal)

Muito já foi dito aqui sobre a honestidade que os filósofos precisam ter para serem os mesmos, até uma constatação da dificuldade de ser honesto com sigo mesmo foi relatada em meus textos (os textos são: Um pouco sobre falácias, Os Senhores do paradoxo, Ler e pensar, pensar e ler..., Como conhecer algo novo? e  O Conhecimento e quem o procura ), mas é preciso que esta noção seja mais bem tratada. Textos separados tratando de algum tema que interfira neste, da honestidade que é intrínseca a filosofia, não explicam completamente a dependência da filosofia para com esta, pois em meus textos, fiz referências a certas particularidades, como por exemplo, no caso dos sofismas e filósofos, no entanto, mesmo estas referências, necessitam de uma análise mais profunda e satisfatória. Os pensadores precisam ser mais honestos com o seu próprio ser, e com a própria realidade a sua volta, ou seja, ele não pode criar uma falsa noção de realidade propositalmente para satisfazer alguma convicção própria do mesmo, para isso, é preciso utilizar a razão, mas para o uso completo e puro dela, é mais necessário ainda, ter a honestidade em seus pensamentos.
O Filósofo Lendo, de Jean-Baptiste Chardin
Como todo aquele que ama a sabedoria, deve, na essência de seus estudos e pensamentos, a honestidade, isto não se deve, com efeito, a uma mera questão de linha filosófica diferenciada ou de doutrinas filosóficas, isto é a filosofia em si, ela nasceu assim e isto é uma das essências dela, e a sua maior base. Embora, para muitos, isso poça ser algum tipo de imposição por parte de alguns filósofos, contudo, a crítica sincera e bem formulada é bem aceita dentro da filosofia em si, isto é, dentro da proposta da filosofia dês da sua fase clássica com filósofos da cultura helênica há milênios, e a aceitação de tais críticas ou o respeito à elas (algumas) é algo de importância primordial para a mesma, não deve-se censurar uma crítica, mesmo que ela seja proferida por um sofista, pois não necessariamente, ela seja, também, um sofismo.
Muito embora seja demasiado fácil falar e explicar sobre a honestidade que um pensador deve ter, não é com a mesma facilidade que se executa estes pensamentos, o problema geral deve-se pelo fator hipocrisia que todos os homens tem, tal fator é inerente nos nossos seres, ele surge quando a oportunidade de fazer algum tipo de mal surge também, ou seja, quando uma pessoa, vendo que algo está ocorrendo de errado em seu meio ataca o mesmo, no entanto, a mesma pratica o erro em sua vida. Um grande exemplo seria a mentira, em suma, ela é detestada por todos e é um ato covarde e desonesto mas, ao mesmo tempo, ela é praticada, ou já foi praticada em algum caso específico, por todos nós para nos livrarmos de alguma consequência justa para as nossas ações, a mentira é, porém, algo que não está na natureza do homem, que busca a verdade com toda a alma, pois se estivesse, a verdade não seria algo de tanta importância na vida do homem, e nem a universalidade das ciências seriam desenvolvidas se a mentira estivesse na essência da humanidade, por isso a mentira é ruim, porque ela foge do ser humano, se a mentira é algo que causa anomalias em nosso ser (os mentirosos, são, por consequência, pessoas de mal-caráter e existe sempre um problema na convivência com as mesmas, em qualquer cultura humana) ela precisa ser combatida com uma determinação superior a de mentir, uma pessoa que combate a mentira, é uma pessoa que combate um erro que perturba a essência dela, portanto, é uma pessoa que quer encontrar a verdade e se libertar do erro.
Um pensador deve ter em mente que os erros são os frutos das limitações existentes no próprio ser-humano em largar a bondade e seguir aquilo que o seu próprio pensar o leva a seguir, mas se o próprio usar o mesmo pensar para abandonar radicalmente os erros, os erros, e a própria desonestidade, estarão longe para atrapalhar os seus pensamentos, tal virtude deve ser diferenciada da hipocrisia, pois, o hipócrita, além de tudo, ataca um ato que o próprio faz, seja em segredo, ou seja em público, diferente do hipócrita, o filósofo, por fazer o exercício da revisão dos seus atos para corrigi-los, ou confirmá-los, pois a revisão gera, em vários casos, um aprofundamento para o pensamento do mesmo, por conseguinte é uma falácia utilizar o argumento de que alguém, ou um grupo de pessoas, é hipócrita porque combate algo, faz o ato que combate, mas combate o erro dentro de si próprio.
O Astrônomo, de Johannes Vermeer
A maiêutica socrática (a base de toda a filosofia) é a prática mais honesta que existe para algum pensador que deseje entrar em algum outro campo, ou outra área, ela, se mudarmos certos pontos, para cada faculdade em questão, aplica-se em todas as ciências existentes, pois, ciência sem filosofia, transforma-se em algo que é nocivo para o homem, pois é utilizada sem ética e tem princípios sofistas em seus firmamentos teóricos iniciais, um pensador pode ser, além de um filósofo, um artista, um músico, um matemático, um engenheiro, um físico, historiador, médico, mecênico, poeta, arquiteto, biólogo, geógrafo, astrônomo, jornalista, economista, empresário, etc. Se em alguma faculdade da universidade das ciências abandona a filosofia, a mesma, cai por terra a longo ou médio prazo, não que ela deixe de existir e que a matéria intelectual acumulada seja perdida em algum evento que ocorre por causa da carência da filosofia, mas o bem para o homem será substituído pela a autoridade do mesmo para fazer o que ele quer com os seus próximos e com a humanidade em geral, em suma, a filosofia necessita da honestidade, por este motivo, que as ciências em geral necessitam da filosofia.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

A filosofia é necessária

"Todos os homens, por natureza, desejam saber" (Aristóteles)

Uma preciosidade tão grande, uma mãe tão poderosa, uma beleza tão cativante, uma essência tão bela e uma razão tão magnífica, isto é oque a maravilhosa e superior modernidade deixou para trás, deixou-se, pouco a pouco, de lado, a mãe das ciências, a filosofia.
Muito, devido a ignorância, é questionado sobre a utilidade da filosofia, e o por quê dela ainda existir na modernidade, isto, evidentemente, é dito, de maneira geral, pelo "povão" que pouco, ou nada, entende sobre oque é ser um filósofo e como a filosofia ajuda em nossas vidas, seja em questões profissionais, sociais, econômicas, políticas ou pessoais, tais pessoas não compreendem como ela desempenhou, e desempenha, um papel colossal na Civilização Ocidental, e, por consequência, em suas vidas pessoais. Um ótimo exemplo disso é a política, não só no meio governamental do Estado, mas também dentro da casa das pessoas, dentro do diálogo de marido e mulher, pais e filhos, existe uma lógica, portanto, existe uma filosofia dentro de casa, que, sem noções geradas por ela, a estruturação da sociedade e do Estado atuais seria impossível, talvez, até mesmo o diálogo seria um ato impensável.
Rua parisiense, dia chuvoso, de Gustave Caillebotte
Pouco se entende, pois pouco se explica, de filosofia no caso das massas em geral, entretanto ela está impregnada na sociedade em todos os níveis (embora não esteja como deveria estar em todos os níveis...), mesmo não sendo incentivado a instigação ao estudo da filosofia pela mesma, isto se deve pelo fato de que a filosofia incentivou muito a cultura helênica e a cultura romana, tal incentivo foi feito também na cultura da Europa medieval depois da queda de Roma (embora tenha sido difícil espalhar tal cultura por causa das invasões bárbaras no início da Idade Média, os monges copistas conseguiram espalhar bem a informação, uma parte dela, chegando até, aos monarcas, como por exemplo, Carlos Magno), e na Europa é que foram criadas as universidades, nelas, o estudo dos grandes filósofos clássicos (os textos destes foram perdidos durante a queda de Roma no Ocidente, mas na Roma oriental, o Império Bizantino, eles ainda continuaram, e depois, foram transmitidos à cultura Árabe, durante as invasões islâmicas às nações cristãs da África e Ásia, durante as Cruzadas para a África, Ásia e as reconquistas ibéricas por parte dos cristãos ocidentais, a maioria dos textos foram re-transmitidos ao Ocidente), foram estudados, e uma grande evolução na filosofia foi dada por São Tomás de Aquino no Ocidente Europeu. A Civilização Ocidental foi cada vez mais influenciada pela filosofia grega e sua lógica, criando assim, estudos sobre a economia, artes, política, direito, gramática e ciências em geral, a lógica, servil até, para criar o metodologia científica moderna (o correto, seria metodologia Antiga, pois a noção dela veio com a filosofia da Antiguidade), que sem ela, muito provavelmente não haveria a primeira revolução industrial, na Idade Moderna, porque o pensamento para investigar novos campos e áreas da ciência não existira, a própria noção de experiência não existiria. Embora o Cientificismo Empirista, seja um sofisma por si só, para a criação do método (o método científico em si não é um sofisma, mas o cientificismo empirista, se analisado profundamente, é um sofisma) foi necessária uma lógica clássica, lógica essa que foi criada pelos filósofos gregos.
A filosofia é a mãe das ciências, pois foi com ela que a ciência pode se desenvolver como ela deve ser, isto é, a análise racional do Universo, e é com ela que as ciências encontram o seu propósito e fundação, sejam elas ciências exatas, bio-médicas, do campo da física e da química ou humanas, as suas estruturas e bases são inteiras definidas por noções e convicções filosóficas para que elas levem à algum propósito realmente bom para o homem, retirando a filosofia da ciência, ela cai inteira em sofisma, e a sua essência passa ser oque é proveitoso, não para o bem comum ou a verdade, porém, para um bem de algumas pessoa e para uma "verdade" subjetiva e desonesta, isto é, para um ato mal e desonroso, um exemplo disto seria a ciência utilizada em campos de concentração da Alemanha nazista.
A verdade pode ser sim alcançada pela razão humana, embora seja difícil e trabalhoso alcança-la, a impossibilidade de te-la seria uma contradição da própria impossibilidade de te-la, com a razão se consegue chegar a ética e a moral, e com ela, consegue-se criar direitos invioláveis, noções de propriedade, noções de mercado, noção de Estado, de individualidade, família e de liberdade (A política de Aristóteles trata dessas coisas). Tais noções só são perdidas se o pensamento sofista entrar em cena e bagunçar a ordem racional existente com  noções, sejam relativistas ou absolutistas, que dão e tiram direitos arbitrariamente, da população em geral, ou de um grupo seleto de pessoas, tais coisas só causam a estagnação da razão e destroem a ordem natural e racional dos sistemas. 
A filosofia é, sem nem uma dúvida, a matéria mais necessária em todos os ramos da ciência e do relacionamento humano, pois sem ela a lógica e a ordem são corrompidas, e a sociedade, em todas as camadas é fragmentada e desfigurada em um monstro que devora e consome a liberdade, o amor, a razão, os direitos e o livre pensamento, pois uma sociedade que deixar de lado a filosofia (como a França revolucionária, em alguns períodos, a Alemanha Nazista, os regimes absolutistas, as ditaduras comunistas, autoritarismos religiosos inquestionáveis e as ditaduras em geral), mesmo que ela pense que não a deixou só porque tem alguns filósofos como base (um exemplo disso seria a União Soviética, eles tinham como uma  das bases filosóficas São Thomas More, um mártir católico inglês, eles o tinham por causa do seu livro A Utopia, porém só o tinham por algumas conveniências ao pensamento marxista, não pela filosofia em si, que ele pregava), ela será uma sociedade com uma política totalitária, corrupta em seu mais auto grau, aonde a corrupção vira justiça e virtude e alienará a sua população. Por isso, precisamos da filosofia, por isso ela jamais deve ser considerada obsoleta e dispensável.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Um pouco sobre as falácias

"É preciso ir à verdade com toda a alma." (Platão)

Filósofo meditando, de Rembrandt Harmenszoon van Rijn
Em meu último texto fiz uma referência a um tipo de falácia utilizada pelos sofistas para ganhar algum debate (veja no meu último texto: Os Senhores do paradoxo), naquele caso, apresentei uma falácia relativista, isto é, a de que não existem, verdades, certezas ou algum absolutismo no mundo, esse tipo de falácia, porém, não é a única existente, existe uma lista grande de falácias, é claro, que pelo seu tamanho não irei colocar todas, e existem muitos tipos de casos aonde elas são e elas não são falácias, com por exemplo, o famoso argumentum ad hominem (em Latim, argumento contra a pessoa), ele é um sofisma quando os dois debatedores estão debatendo ideias, e um, decide fugir da proposta de contra-argumentar somente os argumentos, e passa a atacar a pessoa que profere esses argumentos (vou falar mais sobre o argumentum ad hominem no decorrer do texto), porém, ele não é falacioso se os dois debatedores estão debatendo sobre as suas pessoas, pois aí elas estariam dentro da premissa lógica do debate proposto. 
A falácia, no entanto, não é uma coisa única e exclusiva do sofista, ela pode ser também um erro de pensamento de qualquer filósofo, todavia, se uma falácia vem de um filósofo, esta, por obrigação, é uma falácia não-proposital, sem nem uma intenção desonesta, de levar alguém ao erro ou, também, não ser levada a sério (e propagada) pelo mesmo, se, em seus pensamentos atuais ou anteriores levarem a o próprio crer que aquilo que pensa é uma falácia. Nem todas as falácias são propositais, algumas, entretanto, não passam de meros erros desapercebidos ou erros por falta de experiência (ou prática) daquele que a usa em um debate ou em uma afirmação filosófica, mas, como disse Platão, "é preciso ir à verdade com toda a alma", isto é, com toda a essência de seu ser, com toda a sua vontade, força e espírito e isso é oque levará o pensador honesto para longe das falácias.
O triunfo da justiça, de Hans von Aachen
A pessoa que tem a virtude da  justiça odeia a injustiça, e dos argumentos utilizados para propagar a mesma, logo, a pessoa que é justa de coração e mente deve abandonar o sofismo e as contradições dentro de si mesma, e isso inclui as suas convicções essenciais e existenciais. O Justo, deve prezar a filosofia em seu mais profundo significado original (Sócrates) e usá-la para buscar e conhecer a verdade, e somente a verdade, para o bem de si mesmo e para o bem comum, o filósofo, não é aquele que, por incentivos titulares ou monetários, busca a verdade, o filósofo busca a verdade por ser filósofo, por ser um humano. Aqueles que são movidos por títulos acadêmicos, dinheiro ou mesmo o reconhecimento histórico, são aqueles que cairão na desgraça do sofismo e utilizarão as suas falácias (falácias essas que se parecem muito com um pensamento honesto) para ter tais títulos, horarias, dinheiro e etc. Os que conseguirem se sobrepujar perante tais futilidades, conseguirão ser oque querem ser, conseguirão ser aquilo que realmente definem ser, de acordo com a sua origem, serão filósofos.

Existem variadas formas de falácias, detre elas vou destacar algumas e dar uma explicação delas e o porque delas serem erros de lógica e desonestas:

Apelo ao ridículo: A apelação ao ridículo (não confundir com o reductio ad absurdum, de Aristóteles) é, sem mais delongas, a simplória afirmação de que o argumento em questão é ridículo, mas sem provas ou argumentos que comprovem que tal afirmação seja ridícula.
Exemplo:
-" O homem é um animal político
-"O homem é um animal político? Isso é ridículo!"

Apelo à pobreza (argumentum ad lazarum): A apelação à pobreza (muito usada atualmente...) é a defesa de uma pessoa, ou de um argumento dessa pessoa, só pelo fato dela ser pobre, no entanto, não tem só como referência a pobreza monetária, também pode ser a pobreza intelectual ou espiritual (o apelo à pobreza pode ser uma variação do apelo à emoção). Se a pessoa comete um crime, ofende ou diz algo errado, a apelação à alguma carência desta de algo, só por ela ter essa carência esta deve ser tratada como certa, e caso o outro argumentador seja mais rico em relação ao outro, este se torna errado só por causa de sua riqueza. 
Exemplo:
-"Aquela pessoa está errada, pois 3 + 3 não é igual a 8"
-"Mas essa pessoa é pobre, e por isso está certa"

Apelo à força (argumentum ad baculum): O apelo à força é um tipo de falácia que defende um ponto de vista de alguém só porque esse tem mais força do que você, ou seja, não é o argumento em si que define a veracidade de alguma questão, e sim a força do argumentador ou de algo que está em debate, como por exemplo, o Estado. 
Exemplo:
-"Os homens tem direitos que não podem ser mudados"
-"Se você continuar defendendo isso, você irá se arrepender, eu garanto!"

Apelo à autoridade (argumentum ad verecundiam): A apelação à autoridade é, e foi, muito utilizada na história da humanidade, talvez, a mais utilizada. Ela consiste em utilizar certa autoridade que alguém tem na área para validar algum assunto, porém, não é utilizado o pensamento da autoridade, e sim a pessoa da autoridade como validação.
Exemplo:
-"É um fato que o progresso científico, artístico e cultural medieval foi incentivado intelectualmente e financeiramente pela Igreja Católica, devido aos documentos encontrados e novos estudos mais bem-feitos sobre a Idade Média"
-"Isso não é verdade, pois existem vários doutores de história que afirmam que a Idade Média foi uma era de regresso cultural por causa do patrulhamento religioso feito pela Igreja"

Apelo à maioria (argumentum ad populum): Esta falácia não deve ser confundia em hipótese alguma com o sistema democrático, pois a democracia é um sistema político eletivo com o apoio da maioria, oque é diferente de uma falácia que define que a verdade é dependente da maioria das pessoas.
Exemplo:
-"Esse político não é um bom político, pois mente e está envolvido em desvios de verba pública"
-"Só que esse político ganhou este cargo por duas vezes seguidas, por isso, ele é um bom político"

Apelo à riqueza (argumentum ad crumenam): É uma falácia que utiliza da superioridade monetária do argumentador para justificar alguma posição, ato ou argumento do mesmo, ou seja, a razão sempre está com o mais rico.
Exemplo:
-"É errado julgar as pessoas, unicamente, por sua aparência"
-"Eu sou rico, posso julgar as pessoas da maneira que quiser por isso!"

Ataque ao argumentador (argumentum ad hominem): O ataque ao argumentador é uma forma de responder a algum argumento atacando a pessoa do argumentador, desviando assim, o debate em questão. Essa falácia, tem a principal intenção, de desviar a atenção de um debate, seja público ou privado, ela é utilizada para chamar a atenção de uma característica do argumentador para, assim, "ganhar" o debate, porém, ela também pode ter propósitos de invalidar o argumento do argumentador. O ataque ao argumentador é, deveras, utilizado como se fosse um ponto final em algum debate, apontando, ás vezes, algum erro da pessoa que tenha a ver com oque ela defende ou ataca.
Exemplos:
Exemplo 1
-"A corrupção é um mal que deve ser erradicado do nosso país"
-"Você é um político que esteve e está envolvido em vários escândalos de corrupção, você não tem moral para falar tal coisa!"
Exemplo 2
-"Nós devemos nos manter na paz para que não tenha sofrimentos desnecessários por causa da guerra"
-"O seu país já entrou em guerra antes, a guerra é boa"

Apelo à novidade (argumentum ad novitatem): É uma falácia que afirma que uma ideia, por ser mais nova ou atual, necessariamente é melhor do que uma ideia mais antiga e "ultrapassada". A apelação à novidade é seguir sempre as novas tendências, morais, ideológicas ou religiosas (ou até mesmo não-religiosas), renegando totalmente os antigos costumes, ideias e religiões só pelo fato de serem velhas. Também é comum (muito comum) dizer que algo, por ser novo, está mais certo do que algo que é antigo, pois, esta falácia superestima o novo e subestima o velho, logo, ela não tem nem uma análise profunda e coerente tanto do antigo quanto do novo, a comparação que é feita por quem utiliza desse tipo de falácia é muito superficial, portanto é fácil, para o sofista, "ver" essa suposta superioridade da novidade (escrevi dois texto sobre isso: Então vamos ser críticos e O novo, para o novo, é incriticável).
Exemplo:
-"Na natureza, o macho e a fêmea tem os seus respectivos órgãos reprodutores para multiplicar a espécie, logo, não existe fins na essência do homem para o homossexualismo"
-"Deixe de ser preconceituoso e alienado, estamos em pleno séc.XII, não estamos mais na Idade Média em que você vive!"

Apelo à tradição (argumentum ad antiquitatem): Da mesma forma que o apelo à novidade, a apelação à tradição não tem uma análise completa do velho e do novo, e sempre pressupõe que o antigo e o tradicional é o melhor do que o novo e recente, só por ser antigo e tradicional. Não tem nem uma explicação profunda e séria sobre o que é melhor, ou pior e tem sempre o tradicional como o certo, e o novo como errado. Essa falácia, é, também, bastante utilizada para defender alguma sociedade, padrão ou algum valor moral antigo, só que sem nem uma profundidade, por isso, é uma falácia.
Exemplo:
-"Eu comprei, recentemente, uma coleção de miniaturas de carros na banca, a coleção é muito boa"
-"A coleção não é tão boa quanto a minha, que tem 30 anos de idade"

Apelo ao preconceito (variação do ad hominem): A apelação ao preconceito é associar valores ou defeitos no argumentador, ou na questão a ser debatida como forma de colocar um ponto final no debate.
Exemplo:
-"O aborto é um crime, pois o feto, dentro da barriga da mãe, além de ser filho de Deus, é um ser-humano com vida e tem direitos a serem respeitados como qualquer outra pessoa"
-"Você é um religioso, você não tem capacidade racional de debater sobre isso, pois pessoas racionais não desaprovam o aborto"

Bulverismo: O bulverismo é uma falácia que pressupõe que o argumentador já está errado sobre a questão em debate, depois, tenta explicar o porquê do argumentador estar usando aquele tipo de argumento, em suma, é um ato desonesto de começar ou de dar continuidade ao debate, pois ele não responde o argumento com um contra-argumento. Normalmente quando sofistas utilizam de bulverismo não tem a capacidade de seguir um debate sério, pois ele simplesmente nega a veracidade, sem explicações, da proposta do outro.
Exemplo:
-"Se algo se move, ele é, ou foi, movido por algo, e não sozinho"
-"Isso é absurdo, você só está dizendo isso porque você acredita nas leis da física!"

Egocentrismo ideológico: Esse tipo de falácia, é, sem dúvida, a total incapacidade do sofista sair de um ponto de vista, ideológico ou de qualquer outro ponto de vista, pois ele afirma que o seu pensamento, ou crença (de qualquer tipo) está certa, utilizando argumentos dentro da própria, isto faz uma espécie de círculo, onde o sofista se sustenta.
Exemplos:
Exemplo 1
-"Se a Bíblia é o livro inspirado por Deus, que provas posso ter disso?"
-"A Bíblia é inspirada por Deus sim, pois segundo várias passagens nela, os escritores tiveram inspiração divina"
Exemplo 2
-"Por que o ateísmo libertaria as pessoas?"
-"Porque, nele, as pessoas não acreditam em deuses"

Apelação à nostalgia: O apelo nostálgico diz que algo é bom, ou certo, pelo mero fato de ter marcado alguma parte da vida do argumentador no passado, este apelo é usado, também, para justificar algo que, no seu passado foi visto como bom, mas com um revisionismo próprio se concluí que é ruim, para o sofista é bom só porque foi visto como bom no passado (normalmente na infância).
Exemplo:
-"Aquele programa de televisão, se olharmos bem, não é muito bom..."
-"O que? É claro que ele é bom, ele marcou a minha infância quase toda, que inteira!"