Quis Custodiet Ipsos Custodes? Quem vigia os vigilantes? Quem vigia os vigias? Quem guardará os guardas? Quem irá vigiar os próprios vigilantes? E quem fiscaliza os fiscalizadores? Essas questões foram levantadas pelo poeta romano Juvenal, na Antiguidade. E foram com esses pensamentos que tive a intenção de criar este meu blog, para melhorar os meus próprios pensamentos e compartilhar com as pessoas interessadas em tal, fora o fato primordial de qualquer filosofia: fazer você pensar usando a Razão.


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Então vamos ser críticos!

"Para que se pense que são sábios, eles criticam até o céu." (Fedro) 

Napoleão Bonaparte, no golpe de Estado de 18 de Brumário, de François Bouchot
Crítica*... uma palavra tão usada e abusada que é proferida como se fosse algo seguro e latente na mente de todas as pessoas que vivem um pensamento pós-moderno, tem-se até, oque é bastante irônico, uma "militância pró-crítica" que é incentivada no imaginário popular, é quase até um chavão moderno a palavra crítica, ou a frase "vamos ter senso crítico" (na verdade, essa última realmente é um chavão), mas será mesmo que a sociedade é tão crítica assim? Por que será que  nesse mundo contemporâneo as pessoas se acham tão críticas desta forma? E por quê existe a presunção contemporânea de se pensar que nós somos mais avançados e melhores que as sociedades anteriores, por causa de um suposto senso crítico mais avançado e moderno?
Soberba coletiva, isso seria um termo mais do que apropriado para descrever a maioria do o imaginário popular e acadêmico pós-moderno. É comum uma sociedade se achar melhor do que a anterior, nos registros históricos isso sempre ocorreu, mas o nível de ferocidade e presunção atuais são assustadores, com efeito, as pessoas (a maioria) que pertencem a alguma "tribo" moderna (emos, " rockeiros ", coloridos, góticos, nudistas e etc...), que é influenciada por algum pensador ou corrente de pensamento pós-moderno se acha superior, e muito superior, a algum padrão antigo, e a auto-imposição de um suposto senso crítico no meio dessas "tribos" para que a rebeldia seja praticada e incentivada dentro dessas respectivas tribos que compõem uma série de outros grupos que formam a sociedade como um todo. Até mesmo, se formos para além da esfera das tribos sociais, a sociedade se vê influenciada pelo pensamento de poucos, não que isso seja anormal, o fato de poucos influenciarem muitos,  o problema em questão é o tipo de "grito de guerra" que se usa na sociedade, isto é, a falsa noção de que criticar é simplesmente negar o velho e aceitar o novo, não que eles não aceitem algum padrão antigo, mas tudo aquilo que se tem como antigo, ou seja, conservador, eles renegam com uma veemência quase que religiosa (ás vezes até mais que religiosa), ou seja, em um debate, se um conservador dá um argumento, bom e bem embasado na lógica e etc, a primeira ação de alguém que tem uma mentalidade pós-moderna tem é, antes de tudo, xingá-lo de preconceituoso, homofóbico, xenofóbico, intolerante, fascista, nazista dentre outros adjetivos, mas tudo isso sendo movido pelo dito senso crítico que eles dizem ter, porém, será mesmo que eles tem uma noção da crítica?
Existem várias explicações, e uma parte delas bem satisfatórias e bem feitas, sobre como uma sociedade embasada em uma moral judaico-cristã, se transformou um uma sociedade com uma diversidade de grupos sociais dentro dela nunca antes vista. A diversidade de grupos nunca foi novidade dentro de uma sociedade, mas uma diversidade que tem como união de pensamento, a intolerância com o conservador (intolerância essa que é criada, por uma deturpação do sentido da crítica), nesse caso, a intolerância com o antigo, é um fato anormal e perigoso dentro da mesma. É bem comum escutar, das pessoas que acham que tem senso crítico, em um debate a seguinte frase: "não estamos mais na Idade Média", ou, ainda mais hilário e pior na minha opinião, "estamos em pleno século XXI...", mas essas pessoas não fazem a mínima ideia de que estão começando todos a pensarem igual neste caso, e quando isso ocorre é porque a noção de senso crítico sobre aquele assunto não existe mais, pois a crítica ao pensamento maioritário e atual é impensável e sinônimo de intolerância para quem tem uma mentalidade contemporânea. Querer ter uma moral ou propagar uma moral que era praticada antigamente é considerado um ato irracional para a mentalidade atual! E o que isso tem a ver com o falso senso crítico da sociedade? O que tem a ver é que ele não existe, o tal senso crítico resume-se a um bando de papagaios, papagaios esses que censuram os outros de pensarem diferente. Não é o preconceito normal e habitual que uma sociedade qualquer tem ao testemunhar o diferente, é a censura pesada e judicial que tentam causar a quem pensa que, por exemplo,o homossexualismo é pecado, existem projetos de leis querendo simplesmente censurar uma cultura de 2.000 anos de idade!
Isso que se propaga não é senso crítico, mas sim uma pura e notória alienação em larga escala, alienação que é alimentada com sofismo e uma falsa noção de pensamento crítico! Não significa que, uma posição conservadora é incriticável, até porque os próprios conservadores criticam-na a todo momento,  porém, criar uma intolerância com o passado e quem tem um pensamento baseado nele é um ato agressivo e  até mesmo ditatorial, até porque a bandeira que levantam é da tolerância, infelizmente, ao que tudo indica, a tolerância das ideias modernas. 
Tanto se fala de ter um pensamento crítico nas universidades e escolas, e tantos são os arautos na mídia que  dizem o mesmo, mas se é para ter um pensamento crítico, por que não criticar a si mesmos? Por quê não criticar aquilo que dizem que é certo? Quer criticar a conduta conservadora? A moral judaico-cristã? Não tem nada de errado, mas por que aquilo que é dito como moderno não pode ser criticado? Oque se tem feito hoje não é construir uma sociedade melhor e com uma mente mais aberta, oque se tem feito foi se construir uma sociedade que não sabe o que é crítica, porque se pensa que ser crítico, em termos de conduta moral em larga escala, é criticar a Bíblia, a Igreja, o conservadorismo, as religiões, o antigo, e não criticar o novo,  atual, ou as próprias convicções, e uma sociedade alienada e com uma das mentes mais fechadas já vistas na história da humanidade até então.


  • *Crítica em relação a questionamentos.
  • Sobre a imagem usada nesse textoEssa imagem representa o golpe de estado feito por Napoleão, o fechamento do conselho dos 500, a coloquei aqui para representar o que a falta de um verdadeiro senso crítico faz com a pessoa, ela não critica os próprios ideias, é como se um congresso fosse fechado e as ideias fossem ditadas por um ditador dentro da pessoa.

Um comentário:

  1. Vc está sendo contrário ao Argumentum ad novitatem, que é uma falácia mesmo. Vc tá certo mesmo. Isso é uma herança dos filósofos modernos em geral, infelizmente.

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