"Enfim, ou o bem é absoluto ou o mal o é. Se o bem é absoluto, esta sua condição elimina automaticamente um provável estado absoluto do mal" (Hideraldo Montenegro).
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| Pescador ao Mar, de William Turner |
O relativismo radical não é o único problema relativo a filosofia que existiu na humanidade, embora esse mal afete bastante a atual civilização, ele, talvez, ainda não fez o estrago que o absolutismo radical filosófico fez na história da humanidade, deveras, muitas vezes, ele se mostrou como um oceano escuro e sem vida que ameaçava qualquer centelha de luz que desafiasse a imensidão de seu poder, na política, muitas vezes, usava-se de noções absolutistas de poder, inegáveis e incriticáveis para manter uma ordem de poder vigente inquestionável e acima de qualquer um que ousasse contestá-la, muito embora tais tempos sejam antigos e, portanto, passados, não estamos a salvo de algo que permeia a humanidade desde seu início civilizatório, isto é, a sede pelo poder, tal sede não necessariamente tem que ser saciada com um poder político, mas também pode ser com um poder intelectual, que se apodera dos outros pensamentos existentes. Absolutismos são evidentes atualmente também, embora ele esteja crescendo de uma forma peculiar, através do relativismo, a devastação que ele pode causar, tanto em termos políticos quanto em termos intelectuais, ainda é grande. Se analisar bem as prováveis consequências do absolutismo intelectual, as inovações ocorridas no controle social moderno, são bem piores se compararmos aos absolutismos passados (me refiro ao detrimento na filosofia no séc. XVII, séc. XVIII, o desgaste ético na ciência no séc. XIX, e no início do séc. XX), alguns até, foram os responsáveis pelo surgimento e aprimoramento de tais controles, como o Fascismo Alemão, Japonês e o Comunismo no séc. XX.
De fato o absolutismo político é diferente de um absolutismo intelectual, todavia, o intelectual pode criar noções de política que podem ser danosas para o futuro, mesmo que ambos os absolutismos tenham semelhanças e se estrelassem para a construção de uma ordem governamental, os dois tem diferenças cruciais que devem ser apontadas, a primeira é que o absolutismo político não visa, muitas vezes, um bem maior para toda a humanidade ou a civilização e sociedades tratadas, e sim para uma única, ou um grupo seleto, de pessoas sedentas de poder, pode-se utilizar de um argumento racional-filosófico que justifique a acensão incisiva deste(s), no entanto, a argumentação que apoie algum tipo de governo absolutista não é necessária de imediato, isto se deve pelo fato de que o governante absoluto pode ter permanecido ou entrado no poder mediante a um Golpe de Estado, logo, não é necessário um pensamento que o defenda racionalmente, pois ele pode utilizar a força estatal para permanecer no poder e sanar as críticas. A segunda é aquela que muitas vezes pode definir a neutralidade, ou honestidade, intelectual do pensador, porque ela é dependente das intenções do pensador em publicar e difundir o seus pensamentos a respeito da filosofia em geral, ou da política, muitas vezes, o filósofo não tem a intenção de criar uma base para um sistema absoluto político, pois suas análises não saem da esfera filosófica, todavia, se elas, futuramente, vierem a servir modelos absolutistas e autoritários, não estará na culpa da pessoa que criou estes pensamentos, pois não havia tais intenções nela.
Noções absolutistas na filosofia são tão perigosas (ou mais, dependendo dos casos) quanto a relativista, pois ambas tem o poder de estagnar o progresso cultural e intelectual que uma sociedade possui, isto ocorre porque no nome de uma verdade maior ou de um bem, que se acredita ser inquestionável ou indiscutível, tal pensamento mata a essência da filosofia e impede o progresso da mesma, pensar que algo é literalmente indiscutível é quase que um pensamento que deve ser negado indiscutivelmente. A crítica e o ceticismo de alguma posição é essencial para o progresso da mesma (ou para o regresso se esta estiver no erro), isso é notado e comprovado por todos os filósofos antigos, medievais, alguns modernos e alguns contemporâneos. Na Suma Teológica, de S. Tomás de Aquino, na República de Platão, no Livre Arbítrio de Sto. Agostinho e etc, sempre se é tratado de um tema reconhecendo a possibilidade de que estes estivessem errados, pensavam e repensavam para ver se existia algum erro neles, antes de formular suas doutrinas e convicções precisavam passar por isso.
Com efeito não significa que toda e qualquer premissa, doutrina, lei, ordem, postulado, e metodologia, por ter na essência de sua existência argumentativa a afirmação de que ela é verdadeira, seja um absolutismo hediondo e agressivo. A filosofia é, até que se prove o contrario, é a mãe das matérias e do progresso da ciência do homem, tal progresso foi feito por Sócrates que em suas afirmações encontrava-se a alegação de que só podemos chegar a verdade se, antes disso, refletirmos sobre os nossos próprios pensamentos e as nossas próprias pessoas, tal coisa é uma verdade absoluta em sua essência, pois ela já foi (e é) repensada e comprovada várias vezes e de inúmeras formas por várias gerações de filósofos depois de Sócrates, todavia, ela não é inquestionável, porque dentro da mesma existe um espaço para questionar o próprio pensamento de questionar, isto não a faz ser uma imposição incisiva absolutista mas sim uma verdade absoluta que permite ser questionada pelo homem. Diferente de algumas afirmações agressivas e que impõe certas linhas de pensamento ao pensador, a filosofia clássica é aquela que, além de provar que existem verdades absolutas a serem seguidas, explica que para chegar a elas é preciso muito questionamento e reflexão por parte do filósofo que tenta alcança-la, deveras, a filosofia clássica não nasceu para criar imposições arbitrarias e inquestionáveis, mas sim para colocar uma ordem no pensamento humano para buscar a sabedoria (ordem esta criada pela própria sabedoria), logo, agredir um filósofo que acredita na filosofia clássica e em seus avanços na Idade Média e no começo da Moderna, é um ato absolutista incisivo, pois se condena a própria filosofia que tem como proposta deteriorar e acabar com falácias e desonestidades intelectuais (sofismas), desonestidades essas que se manifestam no discurso absolutista e relativista, pois ambos bebem, muitas vezes sem notar, da fonte da Paralaxe Cognitiva, fonte essa que desativa o senso crítico do sujeito e o faz criar pensamentos, que para o próprio, são inquestionáveis.
Os próprios bebedores da fonte utilizam do mesmo discurso para atacar aqueles que os criticam, no caso dos absolutistas, provavelmente acusariam os filósofos de hipócritas, porque segundo a filosofia clássica existem verdades absolutas, mas a noção de absoluto do filósofo é diferente demais da noção do absolutista, pois dentro da filosofia existe espaço para o ceticismo sudável e abundante, os problemas que existem dentro da mesma são a prova de que ela passa por várias críticas e diversos questionamentos para que se chegue a verdade sobre algum ponto em questão, porém, aqueles que se afastam dela, e isto se verifica pela carência filosófica que existe nos filósofos modernos e contemporâneos dentro das questões sobre a honestidade e a própria lógica simples. Obras como a de Nietzsche estão repletas de contradições, não com a lógica, mas sim com a filosofia em si, de tanto absolutismo que o relativismo em suas obras tinham, no final, existiam contradições aberrantes em seus escritos. Em suma, o absolutismo perigoso não é algo que simplesmente é ditado como verdade absoluta, o absolutismo perigoso é o ato, antes de tudo, de dizer que tal verdade é inquestionável.
Noções absolutistas na filosofia são tão perigosas (ou mais, dependendo dos casos) quanto a relativista, pois ambas tem o poder de estagnar o progresso cultural e intelectual que uma sociedade possui, isto ocorre porque no nome de uma verdade maior ou de um bem, que se acredita ser inquestionável ou indiscutível, tal pensamento mata a essência da filosofia e impede o progresso da mesma, pensar que algo é literalmente indiscutível é quase que um pensamento que deve ser negado indiscutivelmente. A crítica e o ceticismo de alguma posição é essencial para o progresso da mesma (ou para o regresso se esta estiver no erro), isso é notado e comprovado por todos os filósofos antigos, medievais, alguns modernos e alguns contemporâneos. Na Suma Teológica, de S. Tomás de Aquino, na República de Platão, no Livre Arbítrio de Sto. Agostinho e etc, sempre se é tratado de um tema reconhecendo a possibilidade de que estes estivessem errados, pensavam e repensavam para ver se existia algum erro neles, antes de formular suas doutrinas e convicções precisavam passar por isso.
Com efeito não significa que toda e qualquer premissa, doutrina, lei, ordem, postulado, e metodologia, por ter na essência de sua existência argumentativa a afirmação de que ela é verdadeira, seja um absolutismo hediondo e agressivo. A filosofia é, até que se prove o contrario, é a mãe das matérias e do progresso da ciência do homem, tal progresso foi feito por Sócrates que em suas afirmações encontrava-se a alegação de que só podemos chegar a verdade se, antes disso, refletirmos sobre os nossos próprios pensamentos e as nossas próprias pessoas, tal coisa é uma verdade absoluta em sua essência, pois ela já foi (e é) repensada e comprovada várias vezes e de inúmeras formas por várias gerações de filósofos depois de Sócrates, todavia, ela não é inquestionável, porque dentro da mesma existe um espaço para questionar o próprio pensamento de questionar, isto não a faz ser uma imposição incisiva absolutista mas sim uma verdade absoluta que permite ser questionada pelo homem. Diferente de algumas afirmações agressivas e que impõe certas linhas de pensamento ao pensador, a filosofia clássica é aquela que, além de provar que existem verdades absolutas a serem seguidas, explica que para chegar a elas é preciso muito questionamento e reflexão por parte do filósofo que tenta alcança-la, deveras, a filosofia clássica não nasceu para criar imposições arbitrarias e inquestionáveis, mas sim para colocar uma ordem no pensamento humano para buscar a sabedoria (ordem esta criada pela própria sabedoria), logo, agredir um filósofo que acredita na filosofia clássica e em seus avanços na Idade Média e no começo da Moderna, é um ato absolutista incisivo, pois se condena a própria filosofia que tem como proposta deteriorar e acabar com falácias e desonestidades intelectuais (sofismas), desonestidades essas que se manifestam no discurso absolutista e relativista, pois ambos bebem, muitas vezes sem notar, da fonte da Paralaxe Cognitiva, fonte essa que desativa o senso crítico do sujeito e o faz criar pensamentos, que para o próprio, são inquestionáveis.
Os próprios bebedores da fonte utilizam do mesmo discurso para atacar aqueles que os criticam, no caso dos absolutistas, provavelmente acusariam os filósofos de hipócritas, porque segundo a filosofia clássica existem verdades absolutas, mas a noção de absoluto do filósofo é diferente demais da noção do absolutista, pois dentro da filosofia existe espaço para o ceticismo sudável e abundante, os problemas que existem dentro da mesma são a prova de que ela passa por várias críticas e diversos questionamentos para que se chegue a verdade sobre algum ponto em questão, porém, aqueles que se afastam dela, e isto se verifica pela carência filosófica que existe nos filósofos modernos e contemporâneos dentro das questões sobre a honestidade e a própria lógica simples. Obras como a de Nietzsche estão repletas de contradições, não com a lógica, mas sim com a filosofia em si, de tanto absolutismo que o relativismo em suas obras tinham, no final, existiam contradições aberrantes em seus escritos. Em suma, o absolutismo perigoso não é algo que simplesmente é ditado como verdade absoluta, o absolutismo perigoso é o ato, antes de tudo, de dizer que tal verdade é inquestionável.

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